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Maneiras de se Vencer uma Argumentação.
Este
texto eu reformatei, mantendo todo o corpo do original, de “Goiabas Roubadas”,
do BLOG http://www.baciadasalmas.com/
do grande sujeito Paulo Brabo. O Paulo se baseou, aparentemente, na “Política
da Arte da Controvérsia” de Arthur Schopenhauer. A arte da
controvérsia são os meios aos quais os disputantes recorrem para fazer bonito
do seu pensamento individual um diante do outro, e demonstrar que ele é de
natureza pura e objetiva. Se a natureza humana não fosse vil, mas honrosa, não
teríamos em qualquer debate outra intenção que não descobrir a verdade. Mas na
maioria das pessoas a vaidade inata é acompanhada de loquacidade e
desonestidade. (P. B.).
A
dialética não precisa ter, portanto, qualquer relação com a verdade – da mesma
forma que quem levanta uma cerca não precisar levar em conta qual lado está
certo numa disputa de terras.
As
maneiras de se ganhar um discussão foram, aqui, ranqueadas (verde=honesta; amarela=honestidade
depende do contexto e vermelha=desonesta), conforme suas validades como
ferramentas de raciocínio, para orientação do leitor. As regras corretas (ou
pelo menos, honestas) usadas para se discutir idéias (ou reconhecer falácias)
podem ser encontradas em http://www.pessoal.cefetpr.br/bertoldo/FalaciaKit.htm.
Um bom exercício intelectual seria confrontar os dois textos. Usuários desse
kit eu tenho em boa conta. Usuários do texto abaixo (principalmente do texto
vermelho) estão numa categoria, no meu julgamento, de “pensador idiota”, com o
idiota no sentido não pejorativo, mas no do sujeito incapaz de realizar grandes
proezas do pensamento.
Muitas
dessas “maneiras” são truques conhecido por sofismas (argumentos ou raciocínios
concebidos com o objetivo de produzir a ilusão da verdade ou induzir o
adversário ao erro. Têm uma falsa aparência lógica mas, na realidade, têm
estruturas internas inconsistentes, incorretas e deliberadamente enganosas.
As
regras abaixo também poderiam ser conhecidas por “regras do anarquismo
intelectual” ou “oratória desonesta” ou qualquer coisa de nome não muito
elegante. A Epistemologia, por exemplo, que é, de forma sucinta, o estudo da
validade do conhecimento, seria exatamente a ciência utilizada para dar contas
das contendas das quais o texto abaixo fala. Palavras como epistemologia,
paradigma, termos psiquiátricos, autoridade, “conforme estudos” [que geralmente
não são referenciados], e outros termos empolados são geralmente “arroz de
festa” no vocabulário dos oradores. Vou repetir o que considero a pior
infelicidade dentre as características do populacho. Ele sempre escuta que SABE
falar e não quem TEM o que falar. Oradores de grande sucesso (sic) dominam as
habilidades abaixo descritas. Oradores Imortais fogem delas. E pra completar,
outra infelicidade do mundo atual, resumida na frase do grande filósofo atual, Paulo
Abatti: O pior sujeito que existe, o mais perigoso, é o idiota com atitude
(Abatti, P.)
Nº 1. Leve a proposição do seu oponente além dos seus limites
naturais; exagere-a. Quanto mais geral a declaração do seu oponente se torna,
mais objeções você pode encontrar contra ela. Quanto mais restritas as suas
próprias proposições permanecem, mais fáceis elas são de defender.
Nº 2. Use significados diferentes das palavras do seu oponente para
refutar a argumentação dele. Exemplo: a pessoa A diz: “Você não entende os
mistérios da filosofia de Kant”. A pessoa B replica: “Ah, se é de mistérios que
estamos falando, não tenho como participar dessa conversa”.
Nº 3. Ignore a proposição do seu oponente, destinada a referir-se a
alguma coisa em particular. Ao invés disso, compreenda-a num sentido muito
diverso, e em seguida refute-a. Ataque algo diferente do que foi dito.
Nº 4. Oculte a sua conclusão do seu oponente até o último momento.
Semeie suas premissas aqui e ali durante a conversa. Faça com que o seu
oponente concorde com elas em nenhuma ordem definida. Por essa rota oblíqua
você oculta o seu objetivo até que tenha obtido do oponente todas as admissões
necessárias para atingir o seu objetivo.
Nº 5. Use as crenças do seu oponente contra ele. Se o seu oponente
recusa-se a aceitar as suas premissas, use as próprias premissas dele em seu
favor. Por exemplo, se o seu oponente é membro de uma organização ou seita
religiosa a que você não pertence, você pode empregar as opiniões declaradas
desse grupo contra o oponente.
Nº 6. Deixe a questão confusa mudando as palavras do seu oponente ou
aquilo que ele está procurando provar. Chame uma coisa por um nome diferente:
diga “boa reputação” ao invés de “honra”, “virtude” ao invés de “virgindade”,
“animais de sangue quente” ao invés de “vertebrados”.
Nº 7. Declare a sua proposição e demonstre a verdade dela fazendo ao
oponente uma longa lista de perguntas. Fazendo muitas perguntas abrangentes ao
mesmo tempo, você pode ocultar aquilo que está tentando fazer com que o seu
oponente admita. Você em seguida avança o argumento a partir de uma admissão do
oponente.
Nº 8. Deixe o seu oponente furioso. Uma pessoa enfurecida é menos
capaz de usar o seu julgamento ou de perceber onde residem as suas vantagens.
Nº 9. Use as respostas que o seu oponente dá à sua pergunta de modo
a alcançar conclusões diferentes ou opostas.
Nº 10. Se o seu oponente responde a todas as suas perguntas
negativamente e recusa-se a ceder em qualquer ponto, peça que ele concorde com
a versão oposta das suas premissas. Isso pode confundir o seu oponente quanto
ao ponto em particular a respeito do qual você está tentando fazer com que ele
ceda. Pois a natureza humana é tal que, se “A” e “B” estão refletindo em
conjunto, e comunicando as suas opiniões um ao outro a respeito de qualquer
assunto, e “A” percebe que os pensamentos de “B” sobre o mesmo assunto não são
os mesmos que os seus, ele não começa revisando o seu próprio processo de
raciocínio, a fim de descobrir qualquer erro que possa ter cometido, mas
pressupõe que o erro tenha ocorrido no raciocínio de “B”.
Nº 11. Se o seu oponente admite a
verdade de algumas de suas premissas, abstenha-se de pedir que ele concorde com
a sua conclusão. Mais tarde introduza suas conclusões na conversa como coisa
resolvida ou admitida por ele. O seu oponente e outros na assistência poderão
ser levados a acreditar que foi de fato com a sua conclusão que ele concordou.
Nº 12. Se o argumento move-se para o terreno de idéias gerais que
não têm nomes particulares, você deve usar uma linguagem ou metáfora que seja
favorável à sua proposição. Exemplo: O que uma pessoa imparcial chamaria de “fé
pessoal” ou “opção religiosa” é descrito pelo seu partidário como “santidade”
ou “devoção”, e pelo seu oponente como “preconceito” ou “superstição”.
Nº 13. A fim de fazer com que o seu oponente aceite a sua
proposição, apresente também uma contra-proposição oposta. Se o contraste for
acentuado, seu oponente acabará aceitando a sua proposição para evitar parecer
controverso. Exemplo: Se você quer que ele admita que um rapaz deve fazer
absolutamente qualquer coisa que o seu pai manda que ele faça, pergunte se o
seu adversário acredita que “devemos em tudo desobedecer aos nossos
pais”. É como colocar o cinza ao lado do preto e chamá-lo de branco, ou colocar
o cinza perto do branco e chamá-lo de preto.
Nº 14. Tente lograr o seu oponente.
Se ele respondeu diversas de suas perguntas sem que as respostas inclinem-se em
favor da sua conclusão, avance a sua conclusão triunfantemente, mesmo se não
procede. Se o seu oponente for tímido ou estúpido, e se você possuir uma grande
dose de descaramento e uma boa voz, essa técnica pode funcionar.
Nº 15. Se você quer apresentar uma proposição que é difícil de
provar, coloque-a de lado por um momento. Ao invés disso, peça que o seu
oponente aceite ou rejeite alguma proposição verdadeira, como se fosse através
disso que você fosse extrair a sua prova. Se o seu oponente rejeitá-la
suspeitando de alguma armadilha, você obtém o seu triunfo demonstrando o quão
absurdo é o seu oponente rejeitar uma proposição que é obviamente verdadeira.
Se o seu oponente aceitá-la, a razão permanece com você pelo momento. Você pode
então ou tentar demonstrar a sua proposição original ou, como no Nº 14, agir
como se a sua proposição original tivesse sido provada pelo que o seu oponente
admitiu. Essa técnica requer um grau extremo de descaramento para que funcione,
mas a experiência já comprovou inúmeras vezes a sua eficácia. A Controvérsia
Dialética é a arte de debater, e debater de modo a sair por cima, quer você
esteja certo ou não.
Nº 16. Quando o seu oponente
apresenta uma proposição, considere-a inconsistente com as declarações,
crenças, ações ou omissões do oponente. Exemplo: Se o seu oponente defende o
suicídio, pergunte imediatamente: “Então porque você não se enforca?” Se ele
observar que a sua cidade não é um lugar bom para se viver, pergunte: “Então
por que você não parte no primeiro avião?”
Nº 17. Se o seu oponente pressioná-lo com uma evidência contrária,
você pode com freqüência safar-se defendendo alguma distinção sutil. Tente
encontrar algum significado subjacente ou ambigüidade na idéia do seu oponente.
Nº 18. Se o seu oponente abriu uma linha de argumentação que acabará
levando inevitavelmente à sua derrota, não permita que ele a leve até a sua
conclusão. Interrompa o debate, retire-se imediatamente ou leve o seu oponente
a mudar de assunto.
Nº 19. Se o seu oponente desafiá-lo expressamente a apresentar uma
objeção a algum ponto definido da sua argumentação e você não tem mais nada a
dizer, tente fazer o argumento dele menos específico. Exemplo: Se ele pedir
algum motivo pelo qual determinada hipótese não deva ser aceita, fale da
falibilidade do conhecimento humano e ilustre com vários exemplos.
Nº 20. Se o seu oponente aceitou todas ou a maior parte das suas
premissas, não peça que ele concorde diretamente com a sua conclusão. Ao
contrário, exponha a conclusão você mesmo como se ela também tivesse sido
admitida. Uma pessoa pode estar objetivamente com a razão, e mesmo assim sair
por baixo na opinião dos observadores (e algumas vezes na sua própria opinião).
Por exemplo, suponha que eu apresente uma prova para demonstrar uma afirmação
minha. Se o meu adversário refutar a prova, dará a impressão de estar refutando
também a afirmação – para a qual podem, no entanto, haver outras provas. Nesse
caso, é claro, meu adversário e eu trocamos de posição: ele sai por cima
quando, na verdade, está errado.
Nº 21. Quando o seu oponente utilizar um argumento superficial e
você enxergar essa falsidade, refute-o estabelecendo a natureza superficial
desse argumento. Melhor ainda é rebater o oponente com um contra-argumento tão superficial
quanto o dele, só para vencê-lo – afinal de contas é em ganhar que você está
interessado, não na verdade. Exemplo: Se o seu oponente apelar para o
preconceito, para a emoção ou para ataques pessoais, devolva o ataque na mesma
moeda.
Nº 22. Se o seu oponente pedir que você admita alguma coisa a partir
da qual o ponto em discussão pode ser concluído, recuse-se a fazê-lo,
declarando que ele incorre em petição de princípio.
Nº 23. Contradição e
contenciosidade irritam a pessoa de modo a fazê-la exagerar suas declarações.
Contradizer o seu oponente pode levá-lo a estender a sua declaração além dos
limites, e quando você contradiz essa manifestação exagerada parece estar
refutando a declaração original. Do modo correspondente, se o seu oponente
tentar estender a sua própria declaração mais do que você tencionou, redefina
os limites da sua declaração e afirme: “foi isso que eu disse, e não mais do
que isso”.
Nº 24. Recorra a um falso silogismo (Silogismo: A=B e B=C, então
A=C). Seu oponente faz uma declaração, e você por falsa inferência e
distorção das idéias dele extrai à força proposições não-tencionadas e absurdas
da afirmação original. Fica parecendo assim que a proposição do seu oponente
trouxe à luz essas inconsistências, restando a impressão de que ela mesma foi
indiretamente refutada.
Nº 25. Se o seu oponente está fazendo uma generalização, encontre
uma instância que demonstre o contrário. Basta uma contradição válida para
derrubar a proposição do seu oponente. Exemplo: “Todos os ruminantes tem
chifres” é generalização que pode ser subvertida pela instância única do
camelo. [esta é uma ferramenta honesta. BSJ]
Nº 26. Uma manobra brilhante é virar a mesa e utilizar os argumentos
do seu oponente contra ele mesmo. Exemplo: Seu oponente declara: “fulano é
ainda uma criança, você deve fazer-lhe uma concessão”. Você retruca:
“justamente porque ele é criança devo corrigi-lo, caso contrário ele persistirá
em seus maus hábitos”.
Nº 27. Se o seu oponente surpreender você ficando particularmente
indignado diante de um argumento seu, insista nesse argumento com ainda maior
zelo. Isso não apenas deixará o seu oponente furioso, mas vai deixar a
impressão de que você tocou um ponto frágil na argumentação dele, e de que seu
oponente está mais suscetível a um ataque no que diz respeito a esse ponto do
que você esperava.
Nº 28. Quando a audiência consistir de indivíduos (ou uma pessoa)
que não sejam autoridade no assunto, você pode levantar uma objeção inválida e
o seu oponente parecerá ter sido derrotado aos olhos da sua audiência. Esta
estratégia é particularmente efetiva quando a sua objeção faz o seu oponente
parecer ridículo, ou quando a audiência ri. Se o seu oponente tiver de fazer
uma longa, prolixa e complicada explicação para corrigi-lo, a audiência não
estará disposta a ouvi-lo.
Nº 29. Se você perceber que está sendo vencido na argumentação, crie
uma diversão – isto é, comece de repente a falar sobre outra coisa, como se
isso tivesse importância na matéria em questão. Isso pode ser feito sem medo se
a diversão mostrar ter alguma relação mesmo que genérica com a questão.
Nº 30. Apele para a autoridade ao invés de para a razão. Se o seu
oponente respeita determinada autoridade ou especialista, cite essa autoridade
para avançar o seu argumento. Se necessário, cite o que essa autoridade disse
em outro sentido ou circunstância. Autoridades que o seu oponente não chegou a
entender são em geral às que ele admira mais [são?]. Você pode, se necessário, não apenas distorcer as autoridades
citadas em seu favor, mas também falsificá-las, citando algo inteiramente
inventado por você. Falam sem pensar, e mesmo que depois percebam que estão
errados, querem parecer o contrário. O interesse da verdade dá lugar aos interesses
da vaidade: assim, por causa da vaidade, o que é verdadeiro deve parecer falso,
e o falso verdadeiro.
Nº 31. Se sabe não ter uma resposta para os argumentos apresentados
pelo seu oponente, você pode num golpe de ironia declarar-se um juiz incompetente.
Exemplo: “O que você diz ultrapassa os meus pobres poderes de compreensão. Pode
muito bem ser verdade, mas não sou capaz de entender, por isso abstenho-me de
expressar qualquer opinião sobre o assunto”. Desta maneira você insinua à sua
audiência, diante da qual permanece com uma boa imagem, de que o que seu
oponente está dizendo é um contra-senso.
Nº 32. Um método rápido de livrar-se da declaração de um oponente,
ou de colocá-la sob suspeita, é classificá-la debaixo de uma categoria odiosa.
Exemplo: Você pode dizer: “Isso é fascismo”, ou “ateísmo”, ou “nazismo”, ou
“superstição”. Fazendo essa objeção você está pressupondo tacitamente que: 1) a
declaração em questão é idêntica à categoria mencionada ou está pelo menos
contida nela; e 2) o sistema mencionado foi inteiramente rejeitado pela
presente audiência.
Nº 33. Admita as premissas do seu oponente mas negue a sua
conclusão. Exemplo: “Isso é muito bom na teoria, mas na prática não funciona”.
[não é necessariamente desonesto... só o é se a conclusão realmente for
procedente]
Nº 34. Se você apresenta uma pergunta ou um argumento e seu oponente não lhe dá uma resposta direta, contorna-os com outra pergunta ou tenta mudar de assunto, é sinal claro de que você atingiu um ponto fraco, por vezes de forma não intencional. Você, por assim dizer, reduziu seu oponente ao silêncio. Insista, portanto, ainda mais no ponto em questão, e não deixe que seu oponente o evite, mesmo quando você não sabe ainda em que consiste a fraqueza que acaba de descobrir. Ao seguirmos estas regras com esta finalidade, não devemos nos preocupar em qualquer sentido com a verdade objetiva, porque normalmente não sabemos onde está a verdade.
Nº 35. Ao invés de concentrar-se no intelecto do seu oponente ou no rigor de seus argumentos, concentre-se nos motivos dele. Se você conseguir fazer com que a opinião do seu oponente, caso se mostre verdadeira, pareça distintamente prejudicial ao seu próprio interesse, ele a abandonará imediatamente. Exemplo: Um clérigo está defendendo algum dogma filosófico. Demonstre que sua proposição contradiz alguma doutrina fundamental da sua igreja, e ele se verá forçado a abandonar o argumento. [não necessariamente desonesta]
Nº 36. Você pode também confundir e desconcertar seu oponente
através de grandiloqüência pura e simples. Se seu adversário é fraco ou se não
deseja aparentar não ter idéia sobre o que está falando, você pode impor
facilmente sobre ele algum argumento que pareça profundo e erudito, ou soe como
inquestionável.
Nº 37. Se seu oponente estiver certo mas, felizmente para você,
apresentar uma prova deficiente, você pode com facilidade refutar a prova e em
seguida alegar que refutou a posição inteira. É dessa forma que maus advogados
perdem boas causas. Se seu oponente for incapaz de produzir uma prova
irrefutável, você ganhou o dia.
Nº 38. Parta para o ataque pessoal, insultando grosseiramente, tão
logo perceba que seu oponente está com a vantagem. Partindo para o ataque
pessoal você abandona o assunto por completo, passando a concentrar o seu ataque
na pessoa, fazendo uso de observações ofensivas e malevolentes. Esta é uma
técnica muito popular, porque requer pouca habilidade para ser colocada em
prática.